Apenas dor
Ah
Tem dias que a dor é apenas dor,
Não serve a loucura
Nem a felicidade.
Pode ser que o choro contido,
Pois, há sempre um choro contido,
Resgate o ardor,
Mas este vale, este ar e este céu
Nada escondem.
E a dor não passa por outra coisa
Senão ela mesma,
Implicador.
Vale contar os lados e os fatos
E encontrar nas montanhas
Um sorriso ingênuo, reflexivo.
No ar, a transparência é a negação,
O impossível, tudo em volta do nada.
Como tudo, às vezes, pode parecer tão impossível?
E o céu, o céu é uma brincadeira,
Vestido de azul, dança com as borboletas
E marca no olhar a amplitude do improvável.
Complicador.
(Emerson Sitta)

2 comentários:
O final contemplativo ameaça o império da dor... Belos versos, você sempre escolhendo muito bem neste seu espaço singular! Abraço, minha cara sumida!
Ei, acabei de verificar nos comentários anteriores que você nem está tão "sumida" assim: confundi você com outra amiga Sônia... Bem, reformulando: mantenha-se sempre constante nos Morcegos, ré,ré! Abração! E um bom copo de vinho!
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